Sexta-feira 14 de Dezembro de 2018

Nutrição de Organismos Aquáticos

De acordo com o Departamento de Pesca e Aquicultura da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a produção mundial de pescado em 2008 foi de 140 milhões de toneladas sendo que deste total 110 milhões de toneladas foram para o consumo humano.

A aquicultura é a indústria de produção de alimentos com a maior taxa de crescimento anual, 6,6% em média. A sua contribuição na produção mundial de pescados em 2008 atingiu 50 milhões de toneladas gerando uma receita de 98,4 milhões de dólares.

Para atender este rápido crescimento da aquicultura de forma sustentável, foram necessários ao longo das últimas décadas, a realização de estudos para o melhoramento das técnicas de manejo de efluentes em viveiros e gaiolas, reprodução, crescimento, engorda patologia e sanidade, genética, nutrição e alimentação dentre outros.

A alimentação é o principal custo em fazendas aquícolas, ultrapassando 50% do custo de produção. Dessa forma, pesquisas sobre nutrição e alimentação de organismos aquáticos com o objetivo de produzir rações bem balanceadas e de menor custo possível, tem sido objeto de diversos estudos em todas as partes do mundo.

Os primeiros estudos sobre nutrição de peixes datam da década de 50 e foram direcionados a investigar as exigências de vitaminas e aminoácidos para peixes. Somente na década seguinte é que foram relatados os primeiros estudos relacionados às exigências de lipídios para peixes.

Embora o conhecimento sobre as exigências nutricionais de muitas espécies de peixes esteja bem definido, muito ainda tem que ser pesquisado sobre estas exigências nutricionais, principalmente com as espécies nativas do nosso país onde pouco ainda é conhecido.

De acordo com a literatura, as exigências nutricionais tanto de peixes como crustáceos para o crescimento, reprodução e demais funções metabólicas são similares as exigências de animais terrestres. Tanto os animais aquáticos, como os terrestres necessitam para seu crescimento níveis adequados de proteína, minerais, vitaminas e, também, de fontes de energia, como os lipídios e carboidratos. Em muitos casos, as exigências qualitativas e quantitativas entre peixes e animais terrestres são bem similares. Por exemplo, sabemos que tanto as espécies de peixes como os mamíferos possuem a mesma exigência nutricional para os dez aminoácidos essenciais.

Por outro lado, existem algumas diferenças muito marcantes entre animais aquáticos e terrestres. Dentre estas diferenças podemos destacar: (1) a exigência de energia para peixes é menor do que em animais de sangue quente; (2) muitas espécies de peixes necessitam de ácidos graxos omega-3. No caso de espécies marinhas esta exigência é ainda mais específica, necessitando dos ácidos graxos, eicosapentaenóico-EPA (20:5n-3) e docosahexaenóico-DHA(22:6n-3); (3) várias espécies de peixes possuem baixa capacidade de sintetizar o ácido ascórbico; e (4) peixes possuem a capacidade de absorver alguns minerais diretamente da água

Comparativamente, as exigências nutricionais dos peixes não variam muito de espécie para espécie. Entretanto, existem algumas diferenças marcantes como, por exemplo, em relação aos ácidos graxos e os esteróis, além da baixa capacidade de digestão de carboidratos que apresentam as espécies carnívoras quando comparadas com as onívoras.

São muitos os segmentos e temas relacionados com as pesquisas sobre nutrição e alimentação de espécies aquícolas. Pesquisas sobre exigência de aminoácidos, balanceamento proteína/energia, utilização de ingredientes alternativos em rações, patologia nutricional, dentre outras.

Por exemplo, há cerca de três décadas atrás muitas das pesquisas relacionadas com este tema tiveram como principal objetivo o de produzir rações com o menor custo, ambientalmente seguras e com excelente qualidade nutricional.

No início da década de 80 e durante parte da década seguinte, diversos estudos foram realizados na tentativa de reduzir o nível protéico em rações, através da substituição de ingredientes protéicos por ingredientes não protéicos. Os resultados destas pesquisas permitiram uma redução considerável da quantidade de proteína na ração e, conseqüentemente, uma redução da descarga de nitrogênio para o meio ambiente.

Atualmente, 95% do óleo de peixe produzido no mundo são consumidos pela aquicultura. O declínio dos estoques naturais de peixes e o aumento de consumo deste ingrediente devido ao crescimento da aqüicultura têm causado a elevação dos preços desta commodity. Desta forma, urge-se em encontrar fontes alternativas que atendam as exigências nutricionais dos peixes, sem perda da qualidade nutricional das rações.

A recente consolidação da aquicultura como uma indústria de produção de alimento viável economicamente tem trazido benefícios bastante significativos para a população. Atualmente, algumas espécies de peixes como o salmão, por exemplo, antes viável apenas para as classes mais abastadas, pode ser consumido atualmente por uma grande fatia da população, sendo encontrado com freqüência em restaurantes a quilo. Outro exemplo que pode ser citado é o do camarão marinho cultivado, que pode ser encontrado nos mais diversos supermercados com preços entre R$15,00 e R$ 18,00. Com certeza, o nosso pastelzinho de cada dia ficou mais recheado com camarões e muito mais saboroso.

A produção de pescados em cativeiro pode oferecer para a população um pescado de melhor qualidade e com valor nutricional agregado. O aumento de níveis de ácidos graxos omega-3 nas espécies onde este ácido graxo apresenta níveis menores do que em outras espécies de pescados, é perfeitamente possível.

Portanto, em resumo, podemos afirmar que as pesquisas sobre nutrição de organismos aquáticos vêm contribuindo para o sucesso da aquicultura e esta, por sua vez, aumentando a oferta de um produto de excelente qualidade nutricional para a população.


Pesquisadores
  • Ricardo Cavalcanti Martino - Unid. Pesq. Guaratiba
    Chefe da Unidade de Tecnologia do Pescado-UTPo


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